Em apenas duas semanas, a expedição Designing the Future 3, realizada pelo Schmidt Ocean Institute, uma fundação privada sem fins lucrativos dos Estados Unidos, a bordo do navio de pesquisa Falkor (too), identificou 31 novas espécies ainda não descritas ao largo da costa brasileira. A equipe, formada por 37 tripulantes (incluindo oficiais, técnicos navais e engenheiros), além de cerca de 30 cientistas de diversas áreas, utilizou tecnologias de ponta, como lasers, sistemas de escaneamento óptico em 3D e sequenciamento genético realizado a bordo, para caracterizar os organismos e acelerar sua identificação.
A missão, ocorrida em abril de 2026, entre Salvador e Fortaleza, foi coordenada por Karen Osborn, curadora do Museu Nacional de História Natural do Smithsonian Institution (EUA), e teve como objetivo investigar a fauna que vive entre 200 e 1.200 metros de profundidade, nas zonas mesopelágica e batipelágica do Atlântico Sul tropical.
Essa faixa do oceano é palco da chamada migração vertical diária (MVD), considerada o maior movimento sincronizado de biomassa animal do planeta (confira no infográfico). Todas as noites, quando as águas da superfície estão escuras, dificultando a vida dos predadores, bilhões de organismos deixam as profundezas e sobem para se alimentar. Ao amanhecer, fazem o caminho de volta. Nesse vaivém, ajudam a levar carbono das águas superficiais para o oceano profundo, contribuindo para regular o clima do planeta.
