O chuveiro elétrico é um dos eletrodomésticos mais comuns na rotina nacional, mas poucos sabem que essa tecnologia é uma invenção brasileira. Na década de 1930, o inventor autodidata Francisco Canhos, morador de Jaú (SP), observou o funcionamento de um ferro de passar roupa e projetou o primeiro protótipo de aquecimento de água por resistência elétrica, aposentando o antigo e demorado hábito de esquentar água em panelas no fogão.
A ideia surgiu de uma necessidade prática dentro de casa. O pai de Francisco sofria de reumatismo e necessitava de água morna para se banhar. Ao observar a mãe passando roupas, o jovem notou que o calor do aparelho vinha de um filamento interno incandescente. Ele decidiu desmontar o utensílio doméstico, extraiu a resistência elétrica e passou a testar a imersão da peça em tubos por onde a água fluía.
O modelo inicial vendido na cidade exigia uma operação manual em duas etapas: primeiro abria-se o registro e depois acionava-se uma chave seletora na parede. O avanço definitivo ocorreu em 1943, quando o inventor criou o chuveiro elétrico automático, no qual a própria pressão da água ligava o circuito elétrico. Batizado por ele como “Robô”, o aparelho deu origem à fábrica Eletrometalúrgica Jauense. Feito de alumínio fundido, o produto chamava atenção pela durabilidade, podendo funcionar por décadas com a simples troca da resistência.
