O Brasil vai às urnas neste domingo (4) sem saber se a disputa presidencial termina hoje ou se teremos mais algumas semanas de campanha. As últimas pesquisas mostram uma eleição apertada, mas ainda sujeita à decisão dos indecisos e ao comparecimento dos eleitores.
O Datafolha apontou Lula com 45% dos votos válidos e Flávio Bolsonaro com 42%. A Quaest apresentou 46% e 45%, respectivamente. Já a CNT/MDA registrou 47,8% para Lula e 42,1% para Flávio.
Nesses três levantamentos, nenhum candidato ultrapassa a metade dos votos válidos. Por isso, vejo o segundo turno como o caminho mais provável. Uma decisão hoje é possível, mas exigiria uma votação diferente daquela indicada pelos números centrais das pesquisas.
Quem vai votar?
A esta altura, as campanhas precisam transformar apoio em voto. Não adianta o eleitor declarar preferência por um candidato e deixar de comparecer.
É aí que entra a abstenção. Na minha avaliação, a pergunta principal não é apenas quantos brasileiros ficarão em casa, mas quais eleitores deixarão de votar.
Se as ausências ocorrerem na mesma proporção entre os apoiadores de todos os candidatos, os percentuais praticamente não mudam. Se atingirem mais os eleitores de um deles, a disputa pode tomar outro rumo.
Vamos a um exemplo. Imagine 100 votos previstos, dos quais 48 seriam para determinado candidato. Se cinco eleitores dos adversários faltarem, e todos os seus apoiadores comparecerem, ele terá 48 dos 95 votos válidos: cerca de 50,5%.
