Para responder se o ex-presidente sarney era de direita ou esquerda, é preciso abandonar a visão engessada da política internacional e compreender o funcionamento do fisiologismo brasileiro. José Sarney não se encaixa perfeitamente em nenhum dos extremos do espectro ideológico. Ele é a encarnação do político de centro, uma figura que pauta suas decisões muito mais pela manutenção da governabilidade e influência do que por cartilhas ideológicas rígidas. Compreender sua trajetória é entender como as oligarquias regionais sobrevivem e ditam as regras do jogo democrático no Brasil, independentemente de quem ocupe a cadeira principal no Palácio do Planalto.
As raízes conservadoras e a ascensão durante o regime militar
A origem política de José Sarney está profundamente ancorada no conservadorismo e nas elites tradicionais do Nordeste. Ele iniciou sua carreira na União Democrática Nacional (UDN), um partido de direita, marcado pelo moralismo e pelo forte antagonismo aos movimentos trabalhistas e de esquerda que ganhavam força na década de 1950. Embora pertencesse à chamada "Bossa Nova" da UDN, uma ala um pouco mais renovadora, seu alinhamento com as pautas conservadoras era evidente.
Com o golpe de 1964 e a instauração do bipartidarismo, Sarney encontrou seu espaço na Aliança Renovadora Nacional (Arena), a legenda oficial de sustentação política da ditadura militar.
