O debate sobre se getúlio vargas era de direita ou esquerda costuma esbarrar na tentativa de aplicar conceitos políticos contemporâneos a um líder que governou sob a lógica do pragmatismo. Comandando o Brasil por quase duas décadas, em dois períodos distintos, ele estruturou as bases do Estado moderno brasileiro ao mesmo tempo em que concentrava poderes absolutos. Compreender o varguismo exige observar como a máquina pública foi usada para neutralizar opositores e atrair o apoio das massas, misturando controle social rigoroso com a concessão de direitos inéditos aos trabalhadores urbanos.
A construção de um líder além dos rótulos políticos
A ascensão de Vargas ao poder na Revolução de 1930 marcou o colapso da República Velha, um sistema dominado pelas oligarquias rurais de São Paulo e Minas Gerais. Ao assumir o governo, ele não representava um movimento ideológico puro, mas sim uma aliança heterogênea de tenentes, classes médias urbanas e dissidentes regionais. O principal objetivo naquele momento era modernizar a estrutura do país, transferindo o eixo de poder do campo para a indústria e fortalecendo a autoridade do governo federal.
Durante o Estado Novo, instaurado a partir do golpe de 1937, o alinhamento do presidente assumiu contornos abertamente ditatoriais e conservadores nos costumes. Inspirado em modelos corporativistas europeus, o governo suprimiu liberdades individuais, fechou o Congresso Nacional e extinguiu os partidos políticos.
