A abstenção no primeiro turno das eleições presidenciais cresceu de forma contínua entre 2006 e 2022, quando superou 20% e cerca de 32 milhões de brasileiros deixaram de comparecer às urnas. Na votação deste domingo, 4, o número de ausentes terá efeito direto sobre o universo de votos válidos usado para definir se a eleição termina no primeiro turno ou segue para o segundo.
Entre 2006 e 2022, a taxa de abstenção aumentou aproximadamente 4 pontos porcentuais. O índice considera os eleitores aptos que não comparecem às urnas e é contabilizado separadamente dos votos brancos e nulos.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram diferenças no comparecimento conforme o grau de escolaridade. No primeiro turno de 2022, a abstenção entre eleitores analfabetos chegou a 52%. No segundo, ficou em 49,3%. Entre os eleitores com ensino superior completo, a ausência no primeiro turno foi de 12,4%. Para os analfabetos, o voto é facultativo.
A faixa etária também apresenta diferenças. Entre pessoas com mais de 70 anos, para as quais o voto é igualmente facultativo, a abstenção alcançou 58,8% no primeiro turno e 54,7% no segundo.
Apesar do aumento da abstenção nos primeiros turnos desde 2006, a eleição de 2022 interrompeu essa tendência entre as duas etapas da votação. A parcela de eleitores que não compareceu às urnas foi menor no segundo turno do que no primeiro, algo que não ocorria desde 2002.
