No leste da Síria, um homem que reclama da disparada dos preços dos combustíveis volta-se para a multidão que o filma com celulares e dirige a palavra ao presidente de transição do país.
“Nós estivemos ao seu lado; agora, esteja ao nosso lado”, grita ele. “Juro por Deus: se as coisas não mudarem daqui até o ano-novo, a situação vai se transformar em algo que não queremos. Basta!”
Agentes de segurança observam enquanto ele denuncia abertamente o governo.
O que acontece em seguida é surpreendente: nada.
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No início deste mês, milhares de sírios foram às ruas nos protestos mais abrangentes desde a queda de Bashar al-Assad, há quase dois anos.
Ao contrário do que ocorria sob o Estado policial de 54 anos de sua família, em que o desafio público podia resultar em prisão, tortura, desaparecimento ou morte, eles puderam voltar para casa.
Os protestos foram amplamente transmitidos pela mídia estatal, em nítido contraste com a era de Assad, quando a televisão pública disseminava desinformação para desacreditá-los, inclusive alegando que as manifestações eram encenadas em estúdios distantes, no Catar.
