A imagem de 2008 do então governador de São Paulo, José Serra (PSDB), ‘vacinando’ o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou guardada na memória da arquiteta Paula Falcão. Hoje, aos 30 anos, ela lembra como se fosse ontem da fotografia que viu aos 12 e que lhe chamou a atenção pelo tom descontraído com que os adversários posaram para promover uma campanha de imunização. Uma cena que, para ela, parece difícil de se repetir“Antes havia uma certa cordialidade entre os adversários políticos. Tinha um respeito, mesmo que não fosse genuíno. Hoje, não. É um atacando o outro. E no fim das contas, a política se tornou mais sobre derrotar o outro do que sobre vencer e fazer algo de bom para a sociedade”, disse a arquiteta, contando que está “desanimada” com o rumo da disputa presidencial deste ano.O sentimento de Paula é compartilhado por uma parcela relevante do eleitorado. Segundo a pesquisa Travessia, realizada com exclusividade para o Estadão, quase quatro a cada dez eleitores afirmaram sentir “descrença”, “revolta” ou “desânimo” em relação à disputa presidencial. Outros 42,5% falaram em “esperança” com a eleição; 5,1%, em “alegria”; 12,6%, sobre “nenhum”; e 3% não souberam ou não quiseram responder.Paula lembrou que quando votou em Lula para presidente, em 2022, chegou à urna com esperança de que o País pudesse melhorar. Quatro anos depois, porém, percebe poucas mudanças positivas e tem a sensação de que nunca houve tantas crises acontecendo ao mesmo tempo como agora.
Quase 40% expressam desalento em relação à disputa eleitoral, diz pesquisa
Por Matheus Alleoni · Jovem Pan
