A vitivinicultura uruguaia é relativamente jovem, embora tenha raízes profundamente ligadas à imigração europeia. Foi na segunda metade do século XIX, sobretudo a partir da década de 1870, que famílias espanholas, italianas e francesas trouxeram ao país o conhecimento acumulado de gerações dedicadas à vinha. Dois nomes são fundamentais nessa história: o catalão Francisco Vidiella, que estabeleceu seus vinhedos em Colón, Montevidéu, e o basco-francês Pascual Harriague, que se instalou em Salto e encontrou na Tannat, originária do sudoeste da França, a variedade que viria a se transformar no grande símbolo do vinho uruguaio. A partir desses pioneiros, a viticultura expandiu-se rapidamente, sofreu a devastação da filoxera no final do século XIX e posteriormente se reestruturou com o uso de porta-enxertos americanos. Atualmente, embora existam vinhedos de norte a sul, as principais áreas produtoras concentram-se em Canelones e Montevidéu, no sul; Colonia e Carmelo, a oeste; Rivera, no norte; e Maldonado e Rocha, no litoral atlântico. O clima, de natureza temperada e fortemente influenciado pelo Atlântico e pelo Rio da Prata, proporciona boa luminosidade, noites relativamente frescas e uma acidez natural particularmente interessante. Os solos variam de argilosos e calcários a arenosos, pedregosos e assentados sobre formações cristalinas. Essa diversidade explica a extraordinária variedade de estilos que hoje caracteriza o país.
Muito além do Tannat: descubra os vinhos de boutique que revelam um outro Uruguai
Por Matheus Alleoni · Jovem Pan
