O encarecimento dos juros longos nos Estados Unidos já começa a pressionar ativos e setores específicos da economia americana. Hipotecas, crédito corporativo e segmentos inteiros da bolsa já sentem os efeitos desse movimento, que não se restringe ao mercado americano, mas se estende de forma global.
Em entrevista, Juliana Benvenuto, da Avenue, destacou que o cenário atual é resultado de uma combinação de fatores. “Vemos ainda uma economia americana forte e resiliente, os últimos dados divulgados corroboram muito com isso”, afirmou.
Ela também apontou que a guerra no exterior segue pressionando os preços do petróleo, que voltou a superar os US$ 100 por barril, elevando as expectativas de inflação e levando bancos centrais ao redor do mundo a manterem juros elevados.
O setor imobiliário figura entre os mais sensíveis a esse ambiente de juros altos. Segundo Juliana Benvenuto, as taxas de hipoteca nos Estados Unidos já superam 7% ao ano, patamar não observado há mais de um ano.
“Já observamos uma diminuição no volume de compras, os estoques estão aumentando o tempo que eles ficam disponíveis, esse valor já chegou a 4,9 meses, que é o mais alto em mais de um ano”, explicou.
O cenário pressiona tanto a demanda, com menos pessoas tendo acesso a crédito, quanto a oferta, já que o financiamento para novas construções também ficou mais caro.
