Talvez você já tenha se incomodado com alguns posicionamentos de sua candidata ou seu candidato durante as eleições. Muitas vezes, parecem se afastar muito das suas ideias, principalmente se você tem posições fortes. Afinal, em toda campanha eleitoral, os partidos têm que decidir quais eleitores precisam tentar convencer e quais podem deixar de lado. Mas com base em que eles tomam essa decisão?
Uma das teorias mais usadas nas ciências sociais para explicar esse fenômeno é o teorema do eleitor mediano. Trata-se de um modelo matemático proposto por Anthony Downs em 1957 para explicar por que partidos com posições ideológicas diferentes acabam defendendo políticas semelhantes. O foco inicial era entender os governos democratas e republicanos nos Estados Unidos e depois acabou se estendendo a outros contextos. Porém, hoje há divergências sobre se o teorema é mesmo fiel à realidade.
O que diz o teorema do eleitor mediano
O modelo de comportamento dos partidos é baseado em duas premissas simples. A 1ª é que tanto eleitores quanto políticos agem racionalmente. Os primeiros buscam ocupar cargos, já os últimos buscam obter benefícios do governo. Parece razoável presumir que pessoas tendem a agir de acordo com seus interesses. Porém, vou discutir sobre isso mais adiante.
A 2ª premissa é que as preferências do eleitorado seguem uma distribuição normal. Isso significa que deveríamos ter poucas pessoas com posições mais radicais e muitas mais perto da mediana.
