“Quando eu cheguei, nem água mineral tinha”. Foi o que disse a goleira Carlinha, a atleta mais longeva do atual elenco do São Paulo feminino e heroína do time na final do Campeonato Brasileiro. Sete anos após a reativação da modalidade profissional, o clube conquistou o tão desejado troféu seguindo um processo de evolução construído passo a passo, sem pressa e confiando no trabalho de uma comissão técnica em evolução, no DNA de valorização da base e até mesmo no uso do rival Corinthians como exemplo.
O São Paulo reativou a modalidade com um projeto de base em 2017, quando Lucas Piccinato foi contratado para ser o gerente do projeto. Dois anos depois, o time profissional foi reconstruído em uma parceria com o Centro Olímpico, e ele assumiu como técnico. Foi em meio a este cenário que Carlinha, hoje com 29 anos, chegou ao clube. A goleira acompanhou toda o caminho evolutivo que foi sendo pavimento pelo clube no cenário do futebol feminino nacional.
O sucesso do São Paulo não foi imediato. Pelo contrário. Em 2019, o time disputou a Série A2 do Brasileiro feminino e, no ano seguinte, subiu à A1 pela primeira vez. Em 2021, caiu nas quartas de final. Já em 2022, alcançou as semifinais. Foi depois da eliminição para o Santos no Paulista e de mais um ano sem títulos que a diretoria da modalidade optou por uma troca no comando técnico, demitindo o então treinador Lucas Piccinato.
Em dezembro daquele mesmo ano, o clube decidiu fazer uma aposta caseira.
