A cada eleição presidencial, renova-se a esperança de que o próximo governo melhore a economia, combata a corrupção e facilite a vida das pessoas. Essa esperança é fácil de entender para quem enfrenta salários baixos, crédito caro e serviços públicos ruins.
O problema começa quando toda a expectativa de mudança recai sobre o presidente, como se uma única pessoa fosse capaz de resolver dificuldades que dependem do Congresso, da Justiça e do funcionamento do próprio Estado.
As eleições permitem escolher prioridades e trocar governantes, mas vencer nas urnas não garante mudanças duradouras. Para que elas aconteçam, é preciso construir acordos, acompanhar resultados e manter as políticas que dão certo.
Rodrik, Subramanian e Trebbi mostram a importância das instituições que organizam a vida econômica. A qualidade dessas regras ajuda a explicar por que alguns países conseguem transformar oportunidades em prosperidade e outros não. Este é o caso de nosso país.
O desafio das contas públicas
No Brasil, um dos maiores desafios é equilibrar contas públicas saudáveis com as necessidades de uma sociedade tremendamente desigual. Os relatórios do Tesouro Nacional, praticamente ignorados pelo povo, mostram como está a dívida pública e como ela é financiada.
Basicamente, quando os juros pesam no orçamento, sobra menos dinheiro para outras prioridades. De fato, o FMI aponta a dívida alta e a rigidez dos gastos como obstáculos a investimentos importantes.
