O sistema eleitoral brasileiro estabelece um sarrafo alto para a escolha do chefe do Poder Executivo federal. Para que um candidato seja declarado vencedor sem a necessidade de uma nova rodada de votação, ele precisa conquistar mais da metade da preferência do eleitorado. Na história recente do país, responder a qual presidente do Brasil ganhou as eleições no primeiro turno nos leva a um único nome: Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Ele alcançou esse feito duas vezes consecutivas, em 1994 e 1998, um cenário que demonstra a força de um capital político excepcional em um ambiente democrático. Compreender a mecânica dessa vitória exige observar as regras constitucionais e o cenário econômico da época.
A adoção da regra da maioria absoluta no Brasil redemocratizado
Antes da Constituição de 1988, o Brasil adotava o sistema de maioria simples para a escolha de seus governantes. Isso significava que o candidato com o maior número de votos ganhava a eleição, independentemente de alcançar um percentual majoritário em relação aos demais concorrentes. Figuras históricas como Juscelino Kubitschek e Jânio Quadros chegaram ao Palácio do Planalto sob essa regra, muitas vezes governando com o apoio de uma minoria do eleitorado total.
Com a redemocratização, os constituintes decidiram mudar a dinâmica para garantir maior legitimidade ao presidente eleito.
