A ministra Estela Aranha, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), afirmou neste sábado (3) que tem sofrido ataques misóginos após proibir a TV Globo de exibir uma cadeira vazia no lugar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no debate presidencial de quinta-feira (1º), que posteriormente foi cancelado. Segundo ela, a discussão pública se afastou dos argumentos jurídicos e passou a atingi-la pessoalmente.
A fala ocorreu no seminário do Programa de Convidados Internacionais para as Eleições 2026, na sede do tribunal, em Brasília. A ministra não citou o caso nominalmente, mas se referiu a uma decisão tomada “essa semana”, que, segundo ela, “sequer foi contestada juridicamente”.
“Estou passando por um momento pessoal em que se dá uma decisão e a discussão não é sobre a decisão, não é sobre os argumentos jurídicos”, disse. “Há ataques misóginos, agressividade excessiva em relação à decisão, diferente de outros ministros que tomaram decisões no mesmo sentido”.
Ela afirmou que decisões de impacto devem ser debatidas em público, o que “faz parte da democracia”, mas que “o que não é aceitável são agressões”. Para a ministra, “decisões de mulheres são agredidas pessoalmente”.
Aranha disse que uma das principais críticas é a de que teria decidido sob influência de “homens poderosos”. “Obviamente eu não consulto ninguém para tomar as decisões, eu consulto a legislação”, afirmou.
