Uma criatura marinha que lembra um pedaço de cocô pode ter uma longevidade muito maior do que cientistas imaginavam. O pepino-do-mar-preto (Holothuria (Microthele) whitmaei) pode viver por mais de 100 anos e, segundo estimativa de um novo estudo, publicado no sábado (2) na revista iScience, alguns indivíduos poderiam chegar aos 123 anos de idade.
A espécie é encontrada em regiões dos oceanos Pacífico e Índico e é considerada uma iguaria em algumas culturas. O animal, considerado ameaçado de extinção, é comercializado como "bêche-de-mer" (carne cozida, seca e defumada de pepino-do-mar) e sofreu forte pressão da pesca. Na Austrália, a redução das populações levou ao fechamento de sua pesca na Grande Barreira de Corais em 1999.
A descoberta sobre sua longevidade surgiu de uma pesquisa que começou há mais de duas décadas. Em 2000, pesquisadores do Australian Institute of Marine Science (AIMS) coletaram pequenas amostras de tecido de exemplares da espécie na Grande Barreira de Corais.
Como os marcadores físicos colocados pela equipe costumavam cair dos animais em pouco tempo, os cientistas utilizaram o DNA como uma espécie de identificação individual. O método permitiu uma comparação inédita anos depois.
Em setembro de 2024, a equipe retornou à região de Bird Islet, na ilha australiana de Lizard, e encontrou 53 exemplares.
Este animal aquático que parece cocô é considerado iguaria e pode viver mais de 100 anos
