Para conquistar um cargo no Poder Executivo sem a necessidade de uma nova rodada de votação, a matemática eleitoral brasileira impõe uma barreira rigorosa: a regra da maioria absoluta. O mecanismo determina que um político só é declarado vencedor de forma imediata se obtiver mais da metade dos votos válidos. Compreender como um candidato ganha a eleição no primeiro turno exige entender que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realiza um filtro rigoroso antes de fechar a conta, descartando abstenções e votos inválidos. Essa exigência matemática é o pilar que garante a legitimidade popular de presidentes, governadores e prefeitos de grandes cidades, evitando que líderes cheguem ao poder rejeitados pela maior parte da população.
A mudança para a maioria absoluta na Constituição de 1988
O sistema eleitoral que conhecemos hoje é resultado direto do processo de redemocratização do Brasil. Durante a República de 1946, antes do regime militar, a regra em vigor era a da maioria simples. Isso significava que o candidato com o maior número absoluto de votos vencia, independentemente da porcentagem total. Esse modelo permitiu, por exemplo, que Juscelino Kubitschek fosse eleito presidente em 1955 com cerca de 36% dos votos. O resultado prático desse modelo era uma constante fragilidade política, já que o governante assumia o mandato sabendo que a grande maioria do eleitorado havia escolhido outras opções.
