Tuane Vieira é professora adjunta do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O texto a seguir foi originalmente publicado no site The Conversation, que reúne artigos escritos por pesquisadores. Vale a visita.
Morreu nesta quinta-feira, 1 de outubro de 2026, o influenciador e especialista em aviação Lito Sousa. O diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) dele, divulgado por sua família em 21 de agosto último, trouxe esta doença rara ao centro da atenção pública. Com ela, veio a pergunta inevitável: existe tratamento?
A resposta honesta tem duas partes. Não existe, hoje, terapia capaz de deter ou reverter a DCJ: o cuidado é de suporte, voltado ao controle dos sintomas e ao conforto do paciente. E, pela primeira vez na história da doença, candidatos a medicamento, que atacam diretamente seu mecanismo, estão sendo testados em pacientes.
Nosso grupo do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis da UFRJ trabalha em uma dessas frentes de pesquisa, ainda em etapa pré-clínica. Por isso começo pelo que ela não é: nenhum chá, cápsula, extrato ou suplemento de planta trata a doença de Creutzfeldt-Jakob.
Como um prion se multiplica
A DCJ é causada por prions. Não são vírus nem bactérias, mas sim formas anormais de uma proteína produzida por nosso próprio organismo. Quando essa proteína muda de estrutura, induz proteínas normais a mudar de forma também, numa reação em cadeia.
