Em um artigo publicado há cerca de seis meses, afirmava que Moraes e Toffoli eram como um cancro que, se não cirurgicamente extirpado pelo instituto constitucional do impeachment, poderia provocar uma metástase e levar o paciente, aqui personificado pela Suprema Corte, ao óbito. Tentando ser otimista, um imperativo para manter a sanidade no Brasil, concluí o referido texto com a seguinte indagação: qual deve ser, então, a opção de um moderado: a cirurgia ou a morte como personificação de uma inextricável corrupção, seja a moral, seja a literal, na instância mais alta do Judiciário brasileiro?
Agora, à luz dos fatos mais recentes, incluindo o circo, o show de horrores ou a performance de cabaré que foi a sessão plenária destinada a decidir se seria ou não aberta uma investigação contra Alexandre de Moraes em razão de seus aparentes escambos com Daniel Vorcaro, respondo que o óbito é, aqui, um fato consumado, cabendo-nos apenas reconhecê-lo. A Suprema Corte está morta, sem mais.
Até mesmo os mais ferrenhos asseclas da juristocracia tiveram de reconhecer que a Corte se tornou indefensável. Retomando a analogia da metástase, o câncer, embora não tenha acometido todos os membros com igual malignidade, destruiu de forma irreversível a saúde do corpo, levando-o a múltiplos óbitos, dos quais o principal é a confiança pública. A podridão é tamanha que a aposta do grupo de Moraes foi apontar sua presença em outras direções.
