O primeiro turno é neste domingo, 4 de outubro, e muita gente ainda vai chegar à urna sem saber direito o que fazer com o próprio voto. Vale explicar um raciocínio que o sistema eleitoral brasileiro deixa ao alcance de todos, sem pedir carteirinha de campo nenhum: o voto útil.
O conceito é simples. Voto útil é o voto estratégico em um candidato que não é a sua primeira opção, com o objetivo de influenciar quais candidatos seguem na disputa ou o resultado final da eleição. Você olha o cenário, enxerga quem tem chance real de seguir na disputa e decide se quer usar o voto para influenciar esse desfecho, mesmo que o seu favorito de coração fique fora da conta. Ninguém é dono dessa ideia. Ela está à disposição de eleitores de qualquer convicção.
Por que ele existe? Porque, na eleição para presidente e para governador, só vence no primeiro turno quem alcança a maioria absoluta dos votos válidos, ou seja, mais da metade deles. Votos em branco e nulos ficam fora desse cálculo. Se ninguém chega lá, os dois mais votados voltam a se enfrentar, neste ano em 25 de outubro, três semanas depois. Isso muda o peso do voto de domingo. O primeiro turno funciona como uma peneira: o resultado dele define quais opções sobram para a decisão final. Quem vota agora já está escolhendo, em parte, o cardápio de daqui a três semanas.
Um detalhe que costuma ficar de fora da conversa: o voto útil nem sempre precisa acontecer já no primeiro turno.
