O relatório Focus, publicado pelo Banco Central nesta segunda-feira (28), elevou pela segunda semana consecutiva a projeção para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que agora aponta para 4,99% ao fim do ano.
A revisão reflete um conjunto de fatores que o mercado passou a enxergar como mais persistentes do que transitórios, diz Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital Markets.
Em entrevista, ao CNN Money, a economista avaliou que o IPCA-15, divulgado na semana anterior acima das expectativas do mercado, foi um dos principais gatilhos para a desancoragem das expectativas inflacionárias, especialmente para 2026.
A prévia da inflação foi a 0,7% em setembro, puxada pela variação para cima da energia elétrica.
“O mercado deixou de incorporar choques que seriam revertidos ou momentâneos, advindos dos preços da energia, e passou a considerar isso como uma mudança efetivamente estrutural dentro da economia”, afirmou.
Carla Argenta destacou que os vetores de pressão inflacionária estão majoritariamente concentrados na oferta, e não na demanda.
Entre os fatores estruturais mencionados estão o mercado de energia, impactado pelos movimentos do petróleo, e o mercado de semicondutores, cujas pressões sucessivas permeiam o processo produtivo sem perspectiva de reversão no curto prazo.
