Em julho de 1911, ao longo de quatro dias, cerca de duas mil pessoas vindas de mais de 50 países, entre autoridades públicas e representantes de Estado, compareceram ao Primeiro Congresso Universal de Raças, sediado na Universidade de Londres, na Inglaterra.
A indicação para a realização da reunião foi feita na Segunda Conferência de Haia, realizada diante de líderes de 44 países em 1907, e fazia parte de um esforço internacional em prol da pacificação das nações. Porém, na prática, o evento acabou se tornando palco para a divulgação de teorias do racismo científico, que usava métodos pseudocientíficos para tentar provar que algumas raças humanas seriam "superiores" a outras.
A programação era um verdadeiro absurdo: tinha temas como "a posição mundial do negro e do negroide” e "o destino da raça judaica". Contava ainda com uma exposição cuja curadoria ficou nas mãos do professor e fotógrafo Alfredo Haddon, que apresentou tipos humanos, livros, crânios e diagramas.
Na opinião dos cientistas participantes do evento, era legítimo argumentar que as diferenças de características físicas correspondiam a "diferenças mentais". Além disso, eles defendiam que características antropológicas observáveis em “raças particulares” eram permanentes ou poderiam sofrer modificações por força do ambiente, educação, sentimento público e condições econômicas e sociais.
Os médicos que representaram o Brasil no congresso que difundiu o racismo científico
