O governo Luiz Inácio Lula da Silva pagou R$ 165,4 bilhões em emendas parlamentares entre janeiro de 2023 e agosto de 2026. Esse montante supera em 54% os R$ 107 bilhões desembolsados nos três anos e oito meses que antecederam as eleições de 2022, considerando os valores do período anterior corrigidos pela inflação.
Os números estão disponíveis no Siga Brasil, sistema mantido pelo Senado Federal que reúne dados do Orçamento da União. A plataforma permite acompanhar tanto os valores empenhados quanto aqueles efetivamente pagos e inclui, nos desembolsos, restos a pagar de exercícios anteriores.
A diferença entre os dois ciclos é ainda maior quando comparada com janeiro de 2015 a agosto de 2018. Naquele período, foram pagos R$ 24,4 bilhões, em valores atualizados pelo IPCA. O total desembolsado desde 2023 é quase sete vezes esse montante.
De acordo com João Eigen, mestre em ciência política pela Universidade Federal de Santa Catarina, o crescimento das emendas parlamentares simboliza a transformação de velhos vícios em prática corrente do sistema político. “O Mensalão, por exemplo, foi uma tentativa de comprar o centrão com dinheiro desviado e de transformar o PT em um poder hegemônico, capaz de controlar os votos do Legislativo sem precisar fazer o árduo trabalho de governar”, observa.
