Tratar a inteligência artificial como futura fonte de injustiça inevitável, a meu ver, é um erro de diagnóstico. A tecnologia amplia a capacidade disponível a cada pessoa. Quando acesso e formação alcançam quem parte em desvantagem, ela reduz diferenças de conhecimento, experiência e execução. Bill Gates colocou o dilema com precisão em ensaio recente sobre a era da IA. Afirmou que ela pode se tornar o maior instrumento de igualdade já criado ou a pior fonte de injustiça. A segunda hipótese domina a conversa pública. Porém, dados recentes demonstram que a IA é mais fonte de igualdade.
No Brasil, a desigualdade aparece antes do uso dos modelos de inteligência artificial. A TIC Domicílios 2025 mostra que 69% das pessoas da classe A utilizam IA generativa, ante 16% nas classes D e E. Entre quem possui até Ensino Fundamental e ainda fica fora dessas ferramentas, 65% citam falta de habilidade. Uma tecnologia capaz de baratear o acesso a conhecimento especializado começa distribuída conforme a velha desigualdade de renda e escolaridade. Isso descreve uma deficiência de inclusão digital. Os dados apontam acesso e habilidade como fatores dessa distância.
Há evidência de que o acesso bem orientado comprime diferenças. Um estudo com 4.867 desenvolvedores registra aumento de 26,08% nas tarefas concluídas entre usuários de uma ferramenta de IA. Os profissionais menos experientes apresentam maior adoção e ganhos superiores de produtividade.
