Turistas que visitam Tóquio, no Japão, costumam se deparar com uma situação curiosa: ao mesmo tempo que as ruas são extremamente limpas, há poucas lixeiras disponíveis nos locais públicos.
O que poderia ser encarado como um detalhe de falta de estrutura, na verdade, tem uma origem muito mais sombria e que remonta de uma situação que traumatizou a população japonesa no passado.
No livro “Waste: Consuming Postwar Japan” (“Resíduos: o consumo no Japão do pós-guerra”), a autora Eiko Maruko Siniawer, professora de história no Williams College, explica que o governo japonês removeu lixeiras como uma medida de precaução em março de 1995, quando membros da seita Aum Shinrikyō liberaram gás sarin em três linhas do metrô de Tóquio no horário de pico da manhã, matando 14 pessoas e deixando milhares de feridos.
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A medida esbarrou em um comportamento que se seguiu na política do país nos anos seguintes. O custo de limpeza das ruas se tornou uma questão levantada pelo governo, que simplesmente passou a incentivar os moradores a levarem o próprio lixo para casa.
O Japão leva a sério a expressão “meiwaku o kakenai”, que significa “não causar problemas, incômodos ou fardos aos outros”.
