Não é de hoje que Jorge Jesus insiste em reforçar a imagem de que tem poder total, doa a quem doer. Foi o método de sempre, aplicado ao interlocutor errado, no momento errado.
Jesus construiu boa parte da imagem pública em cima da ideia de comando absoluto. O vestiário é dele, a decisão é dele, e quem discordar, jogador, dirigente ou presidente, fica de fora.
Isso aparece há anos nas coletivas: a frase curta, o “eu decido”, a recusa em negociar status em público. No Benfica, no Flamengo, na Arábia e agora na seleção, o registro é o mesmo. Autoridade dita em voz alta, muitas vezes diante das câmeras, mesmo quando o assunto podia ficar no gabinete.O “tu, finish” disparado para Neymar é desse álbum. Não foi uma conversa reservada sobre o ciclo.
Foi uma sentença pública, curta, feita para ser ouvida: o treinador informando o craque, e o mundo, de que a decisão já estava tomada.
Funciona com elencos que aceitam o método e com torcedores que gostam de pulso firme. Gera atrito sempre que o outro lado também tem ego, nome e megafone próprio.
Com Ronaldo, o padrão bateu de frente com o momento.
