Outro dia uma amiga me convidou para fazer uma trilha de quatro dias, acampando perto de cachoeiras. Pra chegar ao ponto de partida, três horas e meia de voo + cinco horas de estrada de terra. Tentei segurar, mas acabei soltando: “Amiga… Pra que?”
Um casal de amigos me contou que comprou o título de um clube ótimo, pertinho do autódromo. Pra quem não está em Mônaco, “perto do autódromo” quer dizer na p que p… Eles justificaram o esforço: muito verde, quadra de Beach Tennis, pista de hipismo, servem até coquetel de camarão (ainda existe!). Me chamaram pra almoçar lá. Me veio à cabeça na hora: Pra que?
Às vezes o Instagram me recomenda colegas de escola. No começo até me animo. Surge a curiosidade: por onde andará Gabriel Buble? Ou a loirinha Mary? Cogito escrever pra eles. Mas logo depois eu penso: Pra que?
Ouvi falar que está rolando uma exposição interativa super interessante no centro da cidade. É só pegar o metrô, descer na Praça da Sé e caminhar três quarteirões até o museu. Nada contra cultura, mas: Pra que?
Mega shows. Veja, não é que eu não goste. Mas demorar 30 minutos pra andar 1 km até chegar no estádio, ter que pagar 90 reais pra parar num estacionamento podre, ficar espremida entre pessoas cantando alto pra olhar uma formiga num palco e um gigante num telão, me faz refletir: Pra que? Se for na praia de Copacabana, já vem escrito no ingresso: Pra que?
Casamento fora da cidade. Por exemplo, em São Roque: Pra que? Ilhabela: legal, mas pra que? Trancoso?
