As usinas brasileiras enfrentam dificuldades para manter as operações de colheita da cana-de-açúcar em níveis normais, já que as chuvas excessivas no centro-sul do país prejudicam o trabalho no campo e também afetam os embarques nos principais portos.
Uma pesquisa da consultoria Datagro divulgada nesta sexta-feira mostrou que a média de cana moída por usina no centro-sul caiu para 76.242 toneladas métricas na semana encerrada em 27 de setembro, ante 105.844 toneladas por semana no início de agosto.
“As chuvas afetaram bastante a moagem em setembro”, disse Bruno Wanderley de Freitas, economista sênior da Datagro, acrescentando que há previsão de mais chuvas nos próximos dias na região, o que continuará prejudicando a colheita.
A Datagro estima que cerca de 35 milhões de toneladas de cana ficarão nos campos para processamento no próximo ano, devido à incapacidade das usinas de concluir a colheita, já que as máquinas enfrentam dificuldades para operar em condições de umidade.
O fenômeno climático El Niño geralmente torna o sul do Brasil mais chuvoso, enquanto o norte fica mais seco. Uma estação de monitoramento climático mantida pela Universidade de São Paulo na região açucareira de Piracicaba mostrou que o período de inverno que acabou de terminar foi o mais chuvoso em 110 anos.
A cana deixada nos campos só será processada no ano que vem, por volta de março.
