De 2015 a 2025, a humanidade registrou os 11 anos mais quentes da História desde que a temperatura do planeta começou a ser medida, na década de 1850. Calor recorde, secas mais longas e desastres naturais tornam-se cada vez mais frequentes, e 77% dos brasileiros já foram afetados, em alguma medida, por eventos climáticos extremos.
A explicação por trás da escalada da crise ambiental é um consenso entre especialistas: as mudanças climáticas. No Brasil, a expansão da agropecuária e do desmatamento têm alterado a longo prazo a temperatura e o regime de chuvas do País com o lançamento de gases de efeito estufa na atmosfera.
Essas mudanças estão, claro, intimamente relacionadas à Amazônia. A floresta funciona como uma reguladora do clima no País agindo na distribuição de umidade, que, em forma de “rios voadores”, leva chuva ao Centro-Oeste, ao Sudeste e ao Sul.
Mas com o avanço de atividades ilegais na região, principalmente entre os anos 1980 e 2000, a maior floresta tropical do mundo está cada vez mais quente e menos chuvosa. De acordo com um artigo publicado na revista Nature, aproximadamente 75% da redução das chuvas e 16,5% do aumento da temperatura do ar da Floresta Amazônica estão ligados à perda de cobertura florestal.
E os impactos vão muito além da vegetação. A redução da umidade afeta a segurança hídrica, a agricultura e a saúde das pessoas em todo o País. Também intensifica eventos extremos, como as secas históricas de 2023 e 2024 e as queimadas.
