O mercado de suco de laranja entrou no fim de um ciclo de aperto de oferta, com queda acentuada das cotações em Nova York e recomposição dos estoques da indústria. Mesmo assim, o recuo da matéria-prima não chegou ao consumidor final, e o consumo segue enfraquecido no principal mercado, os Estados Unidos. O movimento ocorre após cinco safras consecutivas de laranja abaixo da média no Brasil.
A produção brasileira caiu de 386,79 milhões de caixas de 40,8 quilos em 2019/20 para 230,87 milhões de caixas em 2024/25. Com a oferta menor, os estoques da indústria atingiram o menor nível recente em 2023, e o contrato do suco na ICE Futures US alcançou US$ 5,10 por libra-peso em dezembro de 2024.
Com a safra 2025/26 estimada em 292,94 milhões de caixas, segundo o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), a indústria voltou a recompor estoques. Nesse cenário, a cotação do suco em Nova York recuou quase 80% desde o pico e fechou agosto de 2026 em US$ 1,49 por libra-peso, abaixo da média de 2022.
No varejo dos Estados Unidos, porém, o movimento foi diferente. Dados da Nielsen compilados pela Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) mostram queda de 7,2% no volume vendido nas 52 semanas até agosto de 2026, enquanto o preço médio subiu 9,3%. Nos últimos 12 meses, a cotação média em Nova York caiu 51%, mas o preço médio do suco no varejo americano avançou 11%.
