As tragédias de Mariana e Brumadinho marcaram um ponto de inflexão na mineração brasileira.
Desde então, o setor passou por uma primeira onda regulatória voltada ao descomissionamento de barragens construídas pelo método a montante.
Agora, com o avanço das discussões da Agência Nacional de Mineração sobre pilhas de estocagem, vivemos uma segunda onda focada no fortalecimento das exigências de projeto, monitoramento, estabilidade e gestão de riscos.
Há também uma terceira onda em curso, menos visível, mas potencialmente transformadora. Trata-se da conversão de rejeitos em recursos minerais, econômicos e estratégicos.
Essa mudança vai além da conformidade regulatória. Ela propõe uma nova forma de enxergar materiais que, durante décadas, foram tratados apenas como passivos a serem armazenados com segurança. A segurança continua indispensável, mas é preciso avaliar que valor ainda existe nesses materiais e como recuperá-lo de forma segura, viável e ambientalmente responsável.
Em muitos casos, rejeitos e estéreis contêm minerais que não foram recuperados pelos processos disponíveis à época da operação original. Com o avanço da caracterização mineralógica, do processamento mineral, da hidrometalurgia, da
automação e das tecnologias digitais, esses depósitos podem ser reconhecidos como potenciais minérios secundários.
A recuperação de terras raras é um exemplo relevante.
