Há anos eu escrevo, falo e repito, em todo espaço que me dão, que o Brasil vive uma escalada de censura patrocinada pelo Judiciário. E há anos ouço, de boa parte da imprensa tradicional, que isso é exagero, teoria da conspiração ou choro da oposição.
Nesta quinta-feira (1º), a Globo cancelou o debate presidencial menos de uma hora antes de ir ao ar. Nas palavras da emissora, foram “sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes do debate”, que “criaram insegurança jurídica”.
Eu concordo com cada palavra da nota da Globo. E é justamente por isso que preciso escrever este texto.
O TSE proibiu o púlpito vazio de Lula e as perguntas ao ausente. O STF mandou incluir um candidato fora das regras.
Na mesma semana, Joel Pinheiro, comentarista da GloboNews, teve um vídeo crítico ao Supremo derrubado do Instagram.
Censura no cenário do debate. Censura no comentarista da casa. Não dá mais para fingir que é com os outros.
Volto a 2019, porque a memória curta é parte do problema. Alexandre de Moraes mandou tirar do ar a reportagem O amigo do amigo de meu pai, da Crusoé, dentro de um inquérito em que o Supremo era vítima, investigador e juiz.
É justo reconhecer: a imprensa reclamou e Moraes recuou. Mas o inquérito ficou.
Depois vieram o documentário da Brasil Paralelo suspenso, canais desmonetizados, perfis derrubados e o X fora do ar no país. E a maior emissora do Brasil chamava tudo isso de “combate à desinformação”.
Fico pensando qual hipótese é pior.
