Astrônomos do Observatório Europeu do Sul (ESO) estão disparando lasers gigantes no deserto do Atacama, no Chile, para criar estrelas artificiais na atmosfera terrestre. A técnica ajuda a compensar as distorções provocadas pelos gases do planeta e melhora a qualidade das observações do cosmos.
O sistema é usado no Telescópio Muito Grande (VLT) para criar um ponto de referência luminoso a cerca de 90 km de altitude. Com ele, os astrônomos conseguem orientar espelhos que corrigem rapidamente os efeitos da atmosfera sobre a luz captada pelos telescópios, explica a BBC.
Como a atmosfera borra a visão dos telescópios
Observar o espaço a partir do solo tem um obstáculo que os telescópios espaciais não enfrentam da mesma maneira: a atmosfera. A luz das estrelas e galáxias atravessa os gases que envolvem a Terra antes de chegar aos detectores e sofre distorções que podem deixar as imagens borradas.
Para compensar esse efeito, os cientistas utilizam a chamada óptica adaptativa. A luz chega ao espelho principal e depois é direcionada para um espelho menor, capaz de mudar rapidamente de forma para corrigir as alterações provocadas pela atmosfera.
No VLT, materiais piezoelétricos permitem que esse espelho se deforme em alta velocidade. Ele também fica suspenso em um campo magnético.
A estrela artificial a 90 km de altitude
O sistema precisa de uma estrela brilhante como referência. Quando não há uma estrela natural adequada na região observada, os lasers criam uma.
