*Por Letícia Souza
Durante quase três décadas, o funil do comércio eletrônico dependeu de um gesto simples e repetitivo: o consumidor abria um buscador tradicional, digitava poucas palavras-chave e navegava por uma lista de links azuis até encontrar uma página de produto relevante. Essa era da busca passiva por palavras e da disputa feroz pelas primeiras posições do Google está cedendo espaço para uma dinâmica completamente nova. Hoje, a descoberta de produtos migra aceleradamente para interfaces de inteligência artificial generativa, onde a pesquisa se transforma em uma conversa e a lista de resultados é substituída por uma recomendação sintetizada em tempo real.
Não se trata de uma tendência futurista, mas de um comportamento já estabelecido. Levantamentos do setor indicam que o uso da busca agêntica como primeiro passo da jornada de compra registrou um salto de 200% em apenas um ano. Além disso, dados da consultoria Gartner apontam que o avanço das respostas diretas por IA deve reduzir drasticamente o volume das pesquisas na web tradicional. No Brasil, pesquisas do Google mostram que 57% dos consumidores já utilizam inteligência artificial em alguma etapa do processo de compra.
A grande provocação que se impõe às marcas e varejistas em 2026 é simples, porém profunda: quando o cliente pedir a uma IA que indique o melhor produto para sua necessidade, a sua loja estará entre as opções recomendadas ou desaparecerá da escolha antes mesmo de disputar o clique?
