Com um único clique, um conteúdo tem o poder de viralizar e influenciar pessoas conforme o alcance que conseguir nas redes sociais. Quando se trata de uma informação falsa, as consequências são imediatas. As chamadas fake news, termo considerado a palavra do ano em 2016, deixaram de ser um fenômeno isolado para fazer parte de um esquema sistêmico e estrutural muito maior, focado em ganhos financeiros, fraudes e golpes comerciais. No contexto das eleições, a indústria da desinformação se soma a objetivos políticos e, nos últimos anos, encontrou um formato “preferido”: o dos vídeos curtos.
Um estudo do NetLab, laboratório de pesquisas sobre internet e redes sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mapeou como funciona o fluxo multiplataforma percorrido por um conteúdo enganoso até atingir o grande público.
Pesquisadores analisaram 115,3 mil mensagens veiculadas em grupos públicos do WhatsApp e 180,9 mil em grupos e canais públicos do Telegram, durante o primeiro turno das eleições de 2022, e chegaram às seguintes etapas, de acordo com Debora S. Salles, integrante da pesquisa e coordenadora-geral do NetLab:
“Laboratório” em espaços restritos: as narrativas costumam nascer em canais menores e grupos de mobilização dentro do Telegram e do WhatsApp. As plataformas funcionam como repositório de mídias e links e são usadas para mobilizar a militância e explorar a "rede de confiança" interpessoal entre amigos e familiares testando a aderência às narrativas.
