A eleição é o momento mais importante da democracia. É quando o cidadão pode cobrar explicações, comparar propostas e decidir quem terá a responsabilidade de governar o país.
Mas, na noite desta quinta-feira (1º), o brasileiro que esperava acompanhar o debate presidencial da Globo recebeu uma sequência de decisões judiciais, desistências e, por fim, o cancelamento do encontro.
Considero esse episódio lamentável. Às vésperas do voto, faltou justamente o que deveria sustentar o processo eleitoral: previsibilidade nas regras e disposição dos candidatos para enfrentar perguntas.
Lula já havia informado que não participaria. Segundo a nota da Globo, a ata assinada pelos partidos, inclusive o PT, previa a manutenção do púlpito identificado do candidato ausente. Também permitia que os presentes apresentassem, em uma rodada, as perguntas que fariam a ele.
A campanha do presidente contestou essa regra. A ministra Estela Aranha, do TSE, suspendeu a exibição do púlpito e as perguntas dirigidas ao ausente.
O fundamento divulgado foi que a participação é facultativa e que essa dinâmica poderia produzir desequilíbrio entre as candidaturas, sem possibilidade de resposta imediata.
O argumento merece ser conhecido. Mas também merece ser questionado.
Se um candidato decide não comparecer, por que o eleitor não pode ver sua ausência? A liberdade de recusar um debate deveria vir acompanhada da responsabilidade política por essa escolha.
