Durante muito tempo, o infarto do miocárdio foi visto como uma doença masculina. Embora a doença coronariana ainda seja mais comum em homens, ela representa uma ameaça expressiva às mulheres, que, por vezes, chegam ao atendimento em condições mais desfavoráveis.
O que os números mostram
Em 2021, cerca de 254 milhões de pessoas viviam com doença isquêmica do coração no mundo; aproximadamente 43% eram mulheres. Análises do Global Burden of Disease indicam que a diferença entre os sexos em incidência e prevalência diminuiu nas últimas décadas.
No Brasil, dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do DATASUS apontam 66.907 mortes por infarto entre mulheres com menos de 60 anos, de 2015 a 2024. Nesse grupo, foram 6.620 mortes em 2021, 6.725 em 2022, 6.476 em 2023 e 6.247 em 2024. A queda recente não elimina a gravidade de mais de 6 mil mortes anuais entre mulheres relativamente jovens.
Em média, as mulheres desenvolvem doença coronariana e sofrem o primeiro infarto mais tarde do que os homens, em parte pela proteção cardiovascular da vida reprodutiva. Após a menopausa, hipertensão, alterações do colesterol, gordura abdominal, resistência à insulina e diabetes ganham importância. O envelhecimento muda o perfil de risco, mas não torna o infarto inevitável.
Quando o infarto não segue o “padrão”
Nem todo infarto decorre da ruptura de uma placa de colesterol que obstrui uma coronária.
