Os acontecimentos que antecederam estas eleições no Brasil poderiam, no futuro, inspirar um livro intitulado Setembro, semelhante a Agosto, de Rubem Fonseca, romance que recria a sequência de fatos anteriores à morte de Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1954. A diferença é que agora não se trata da morte de alguém, mas da possibilidade de esgotamento de um modelo político iniciado nos anos 2000, encabeçado pelo atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A intensidade dos acontecimentos, porém, é inédita na história do país, com a inclusão de temas como religião e um escândalo bancário que envolve suspeitas de participação direta de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Essas controvérsias também respingaram nos candidatos, conforme afirmou a Oeste o cientista político Emerson Saraiva, especialista em marketing eleitoral.
"Sem dúvidas essa campanha ficará marcada por essa sequência frenética de fatos e polêmicas vindos das mais diversas fontes e envolvendo atores que antes não apenas não estavam envolvidos diretamente no debate como eram os responsáveis por ordenar o processo, como é o caso do Judiciário."
Antes de surgir, na quinta-feira, 24, a informação falsa de que haveria, entre aliados do candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, revelações de supostas conversas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, do STF, já ditavam o ritmo…
