Há quem volte do elevador para buscar a pulseira esquecida, quem só faça entrevista de emprego com a mesma caneta e quem confira no bolso, antes de uma prova, se a moeda continua no lugar.
Ninguém precisa acreditar de fato que o objeto decide o resultado para sentir que sair de casa sem o objeto de sorte é um mau começo de dia. O costume atravessa culturas e épocas, aparece no esporte, no palco e no escritório, e virou tema de experimentos em universidades da Europa e dos Estados Unidos. O que esses trabalhos mostram, porém, é menos simples do que a crença popular sugere.
Objeto de sorte aparece quando o resultado é incerto
A incerteza é o gatilho mais citado pelos pesquisadores. Richard Wiseman, professor de psicologia da Universidade de Hertfordshire, no Reino Unido, e autor de O Fator Sorte, sustenta que as pessoas ficam supersticiosas quando precisam enfrentar situações de desempenho imprevisível, como as de atletas e atores. Segundo o pesquisador, o amuleto da sorte reduz a ansiedade, e isso ajudaria a render melhor.
Os exemplos do esporte alimentam essa ideia. O astro do basquete Michael Jordan usava por baixo do uniforme da NBA o calção da equipe da universidade, e o golfista Tiger Woods ficou conhecido por vestir camisa vermelha nos domingos de torneio, em geral o último e mais importante dia.
Fora das quadras, o mecanismo se repete em provas, entrevistas e consultas.
