Por Bruce Lewenstein e Chris Mooney
Quando duas revistas de divulgação científica -de um total de cerca de 17 em circulação- deixaram de ser publicadas no mesmo ano, um comentarista disse: “As revistas científicas não se reergueram. Elas se desintegraram”. O gerente-geral de uma das revistas falidas afirmou: “Havia uma percepção de que elas eram irrelevantes”. Um dos editores se lembrou de ter ficado em “estado de choque” quando os fracassos vieram à tona.
O ano? 1986. O que poucos anos antes havia sido chamado de “boom da ciência” na indústria da mídia, agora era denominado de “crise da ciência”. Gritos de desespero vieram das comunidades científicas e do jornalismo científico, preocupadas com o fato de o interesse pela ciência “ser apenas uma moda passageira”.
As mesmas preocupações ressurgiram 40 anos depois, com os cortes nas equipes de jornalismo científico e ambiental em diversos jornais e revistas. Talvez o maior choque tenha se dado no final de junho de 2026, quando a Scientific American foi vendida para novos proprietários, que imediatamente demitiram 15 funcionários e reduziram os salários de muitos outros. Em sequência, vieram as demissões de jornalistas de ciência e meio ambiente no Washington Post (onde um de nós, Chris Mooney, trabalhou por quase 10 anos), no Wall Street Journal, na National Public Radio e na CBS News.
Um jornalista científico veterano expressou recentemente sua preocupação de estar escrevendo um elogio fúnebre ao jornalismo científico.
