A possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras está sendo analisada sob a ótica da lealdade pessoal ao presidente americano, Donald Trump. Para professor na Louisiana State University Andre Pagliarini, ao WW, o que está em jogo não é apenas uma questão de política externa, mas a percepção de que o candidato da oposição, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seria um aliado fiel ao republicano.
Pagliarini avaliou o comportamento de Trump diante das eleições no Brasil e destacou que o comedimento com que o republicano tratou o tema surpreendeu observadores, ao mesmo tempo em que o governo brasileiro intensificava a busca por uma presença americana no processo eleitoral.
Continuidades históricas e interferência externa
Pagliarini, que também atua como historiador da Guerra Fria, chamou atenção para as continuidades históricas no padrão de interferência dos Estados Unidos na América Latina.
“Em 1964, foram vários grupos operando no Brasil que os Estados Unidos, de forma sigilosa, financiou para desestabilizar o governo Goulart na época”, afirmou.
Segundo ele, esse histórico leva a refletir sobre o que ainda pode ser desconhecido a respeito das ações em curso.
“Como historiador, eu fico olhando o que está acontecendo agora e pensando no que nós vamos descobrir no futuro. As coisas que a gente nem sabe o que está acontecendo nesse momento”, disse Pagliarini.
