Para quem conheceu Cinderela por meio das adaptações da Disney, a ideia de que o enredo original possa ter mais de dois mil anos de história pode parecer um pouco suspeita. Afinal, Cinderela se passa claramente em um contexto pós-medieval, certo? Bem, mais ou menos.
A versão da Disney, lançada em 1950, é fortemente baseada na história Cinderela ou o Sapatinho de Cristal, publicada pelo autor francês Charles Perrault em 1697. Muitos dos elementos que agora consideramos clássicos da história - como a fada madrinha, o baile e a carruagem que vira abóbora - surgiram com a versão de Perrault.
Mas a estrutura narrativa principal da história, que é a perda do calçado, a busca feita pelo rei e o casamento real, já existia desde antes de Cristo. Mais precisamente, podemos encontrar esses elementos em Rhodopis, uma narrativa egípcia antiga registrada pelo historiador grego Estrabão entre o século 1 a.C. e o século 1 d.C. (a data exata é incerta).
Na história, uma cortesã grega chamada Rhodopis (nome que significa “de bochechas rosadas”) está se banhando quando uma águia rouba suas sandálias e as leva para Mênfis, importante cidade do Egito Antigo. Lá, o bicho derruba as sandálias no colo de um rei que, impressionado pela beleza do formato das sandálias e pela estranheza do acontecimento, decide procurar a dona. Ele envia emissários por todo o país e acaba encontrando a garota escrava em Náucratis, outra cidade. Ela é então trazida a seu encontro e os dois se casam.
