Inteligência artificial e mudanças climáticas são temas que se relacionam de várias formas. Há quem diga que o primeiro piora o segundo. Há quem diga que o primeiro pode ajudar a resolver o segundo.
Seja como for, os dois temas estão entre as questões mais importantes com as quais a humanidade precisa lidar atualmente.
É o que disse Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP, em entrevista ao Olhar Digital. Artaxo também é coordenador do Amazônia Sustentável, um centro de estudos da universidade.
Quando o assunto é mudanças climáticas, IA pode tanto ajudar quanto piorar
A IA pode ser uma ferramenta útil no combate às mudanças climáticas.
Por meio da tecnologia, pessoas poderiam desenvolver, por exemplo, sistemas de alerta de desastres mais sofisticados. Ou, quem sabe, encontrar maneiras de amenizar a escassez de água mundo afora.
No entanto, quando se considera o futuro de curto prazo, a perspectiva é que a IA dificulte a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa.
Por que? É uma tecnologia que precisa de data centers para funcionar. E data centers consomem muita energia.
Para você ter ideia, data centers de IA devem consumir quase três vezes mais eletricidade do que a Nigéria, o Paquistão e Bangladesh juntos, segundo a ONU. Somados, esses países abrigam 650 milhões de pessoas.
Data centers precisam de eletricidade. E nem sempre dá para gerar eletricidade por meio de fontes renováveis, como sol (solar), água (hidrelétrica) e vento (eólica).
