Compartilhar a localização, entregar a senha do celular e responder a mensagens em poucos minutos são comportamentos vistos por muitos jovens como sinais de afeto e intimidade. No entanto, um estudo conduzido em dez países indica que esses hábitos podem esconder um tipo de abuso que a maioria dos jovens entre 16 e 24 anos não reconhece. A conclusão é da psicóloga Nina Jane Patel, e foi descrita em um artigo publicado nessa quarta-feira (30) no Journal of Online Trust and Safety.
Para a pesquisadora, a vigilância se normalizou a ponto de dificultar a distinção entre amor e controle, e esse fenômeno tem até um nome próprio: violência entre parceiros íntimos facilitada pela tecnologia, também conhecida pela sigla em inglês TFIPV. Basicamente, ela designa o uso de celulares, redes sociais, aplicativos de mensagem, rastreamento de localização e IA (inteligência artificial) para vigiar, coagir, assediar ou controlar o cônjuge ou ex-parceiro.
Por que os jovens não enxergam o abuso
Entre abril e maio de 2026, Patel entrevistou dez especialistas que atendem jovens em situação de violência no Brasil, na Tchéquia, na Inglaterra, na França, na Grécia, na Indonésia, na África do Sul, na Espanha, na Suécia e nos Estados Unidos, por meio do programa “Abuso Não É Amor”, da YSL Beauty. Em todos esses países, verificou-se que, embora os jovens sintam desconforto com o controle digital praticado por seus companheiros, não o classificam como abuso.
Por que jovens não costumam reconhecer abuso online no namoro, segundo estudo
