Vídeos falsos usando voz e imagem de figuras conhecidas ganharam circulação nas redes sociais nas últimas semanas, especialmente com a chegada das eleições. Casos recentes mostram a força da inteligência artificial (IA) nesse movimento - ela é capaz de inventar declarações políticas, alterar áudios e criar cenas tão realistas que enganam facilmente quem está rolando a tela do celular.
Essa tática explora a influência de pessoas populares para dar credibilidade a conteúdos inventados. Dessa forma, nomes de grande alcance passam a integrar manipulações que combinam elementos reais e falsos para enganar o público.
A IA a serviço do debate político enganoso
Um dos exemplos envolve Caetano Veloso e Neymar Jr. No caso do cantor, circula no TikTok uma gravação criada para parecer que ele disse que “Lula salvou este país do ódio” e defendeu a continuidade do governo em 2026. Trata-se de uma montagem enganosa, pois o cantor não deu essa declaração.
A falsificação explorava elementos verdadeiros para ganhar aparência de autenticidade. Caetano realmente participou, em 2026, de um material de campanha de Lula no qual artistas aparecem dizendo “Bora, Lula!”. No vídeo falso, entretanto, a imagem do cantor foi reaproveitada e recebeu um novo áudio, produzido com auxílio de IA, com palavras que ele nunca pronunciou. A própria assessoria de Caetano confirmou à DW que o conteúdo era falso.
Com Neymar, a estratégia foi semelhante, mas com viés político oposto.
