A 150 milhões de quilômetros de distância, o Sol é uma enorme usina de fusão nuclear, produzindo cerca de 384 trilhões de trilhões de Watts. Toda essa energia é lançada no espaço na forma de luz, calor e partículas carregadas, que seriam letais para a vida na Terra, não fosse a presença de um enorme escudo protetor que envolve nosso planeta.
O campo magnético da Terra nos protege de boa parte das partículas carregadas que chegam do Sol, mas ao mesmo tempo, cria uma região no espaço conhecida como Cinturão de Van Allen, onde a radiação dessas partículas é concentrada.
A sua existência só foi descoberta quando começamos a explorar o espaço e rapidamente levou a uma pergunta importante: quão perigoso seria atravessar essas regiões de radiação? A resposta ajudaria a definir os limites e as possibilidades das primeiras viagens humanas para além da órbita terrestre.
Entre 1911 e 1912, o físico austro-americano Victor Franz Hess realizou uma série de voos de balão medindo a radiação em diversas altitudes, concluindo que ela aumentava com a altitude e que essa radiação vinha do espaço. Hess havia descoberto os raios cósmicos, partículas energéticas vindas do Sol, de explosões de supernovas na nossa galáxia e de outras fontes extragalácticas extremas, e que interagem com nossa atmosfera. Tal descoberta rendeu a Hess o Prêmio Nobel de Física em 1936.
