Os números são estarrecedores. Segundo as previsões de alguns especialistas, as abstenções nas eleições deste ano no primeiro turno podem bater recorde histórico, mais de 22%. Esse percentual representa o expressivo número de aproximadamente 35 milhões de eleitores de um total de 158 milhões de pessoas aptas a votar.
E não para por aí. Se acrescentarmos os votos brancos e nulos, as projeções indicam que o não voto pode chegar a 30% do eleitorado. Isso porque o voto é obrigatório. Se não fosse, dá para imaginar a que ponto essa falta de vontade dos brasileiros para escolher quem governará o país poderia chegar. Afinal, o que aconteceu?
O preço da redemocratização
Os mais jovens talvez não tenham ideia de como foi dura a luta para recuperarmos o direito de eleger os governantes. Até hoje me lembro das manifestações estudantis, das reuniões “secretas” nos centros acadêmicos das faculdades, das mensagens subliminares nas letras das músicas. Tudo para que tivéssemos o direito de votar em quem desejássemos.
De vez em quando descobríamos um informante do governo infiltrado entre nós. Ouviam os planos, participavam com sugestões, iam às passeatas, e depois entregavam a cabeça daqueles que acreditavam neles. Com o tempo, todos viviam desconfiados. Olhavam para o colega sempre com a impressão de que era alguém espionando.
Eu no olho do furacão
Um amigo de meu pai, que tinha alta patente no Exército, o alertou para o fato de que eu estava na lista para ser interrogado.
