Antonio Egídio Nardi é presidente da Academia Nacional de Medicina, professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Cientista do Nosso Estado da Faperj. O texto a seguir foi originalmente publicado no site The Conversation, que reúne artigos escritos por pesquisadores. Vale a visita.
Mentir é um comportamento humano universal. A mentira pode proteger a intimidade, evitar conflitos, preservar vínculos ou produzir vantagens sociais.
Existe, entretanto, uma diferença importante. E vale esclarecer a diferença entre mentira ocasional, dirigida a finalidade compreensível, e a mentira patológica. Esta é aquela tradicionalmente denominada pseudologia fantástica ou mitomania.
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Nessa condição, a fabricação de histórias torna-se persistente, desproporcional e, por vezes, aparentemente compulsiva. Essa condição passa a constituir uma característica marcante do funcionamento interpessoal do indivíduo.
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Descrita na literatura psiquiátrica há mais de um século, a pseudologia fantástica permanece uma entidade controversa. Não constitui, atualmente, um diagnóstico independente nos principais sistemas classificatórios.
Ainda assim, estudos contemporâneos sugerem que a mentira patológica pode produzir sofrimento e prejuízos sociais e ocupacionais suficientemente significativos.
