A França apresentou nesta quinta-feira (1º) seu projeto de Orçamento para 2027, com medidas impopulares de contenção de gastos para reduzir o déficit público e tentar tranquilizar investidores cada vez mais preocupados com a dívida do país, às vésperas das eleições presidenciais do próximo ano.
A proposta enfrenta resistência nas ruas. Trabalhadores do setor público fizeram uma greve na terça-feira (29) contra o congelamento de salários previsto no orçamento.
Ao mesmo tempo, protestos de estudantes do ensino médio contra a falta de recursos nas escolas, com salas superlotadas, prédios deteriorados e escassez de professores, se espalharam pelo país e ficaram mais violentos.
O texto deve enfrentar dificuldades no Parlamento, profundamente dividido, enquanto os diferentes grupos políticos se posicionam para uma das eleições mais importantes da história recente da França. Os dois primeiros-ministros anteriores de Emmanuel Macron deixaram o cargo após enfrentarem resistência aos seus planos de austeridade.
O aperto orçamentário prevê o congelamento dos salários do funcionalismo público e de quase todas as aposentadorias, além de limites para os gastos de governos locais e com saúde e da redução de benefícios fiscais para empresas sobre encargos trabalhistas.
O projeto não prevê um aumento generalizado de impostos para famílias e empresas. Já uma sobretaxa extraordinária sobre as maiores companhias francesas, em vigor há dois anos, será reduzida em 30%.
