Um dos integrantes do grupo da Igreja Católica Opus Dei, o coach Enrique Mackenzie, 40, conversou com a CNN Brasil e contou mais sobre as experiências que mudaram sua vida, e criaram traumas que o afetam até hoje.
Natural de El Salvador, ele estudou em uma das escolas da instituição desde os dois anos, e foi aos 12 anos que começou a participar das atividades de um dos centros de funcionamento do grupo. Lá eram conduzidas aulas de religião e também de esportes, como o futebol.
Aos 14 anos, quando descobriu que era um homem gay, recebeu um tratamento de conversão e remédios psiquiátricos para “tratar” o que o Opus Dei considerava uma doença. Quando tinha 17 anos, foi expulso da organização.
“Foi um processo muito longo para me assumir, foram pelo menos sete anos, com ajuda terapêutica. Quando ganhei uma bolsa para estudar em Taiwan, conheci muitas pessoas de vários países e eles começaram a falar da ciência, que ser gay não era uma doença”, relatou.
De acordo com Enrique, um intercâmbio que fez na Bélgica também o ajudou a compreender melhor a realidade de ser uma pessoa LGBTQIAPN+ e que ele poderia viver sua verdade.
“Entendi que ser gay não era um problema, que era uma coisa normal, e que eu merecia também ter um relacionamento com outros homens, a vida de uma pessoa jovem, ir a festas, bares entre amigos. Foi um processo muito longo e difícil para mim, até eu conseguir me aceitar, aos 25 anos.
